Audionovela “Os Bollagattos” estreia nesta quinta-feira, 15/03

Priscila Fantin, Bianca Rinaldi, Paloma Bernardi, Maytê Piragibe e André Ramiro estrelam enredo produzida pela LAFILMS.TV, com distribuição exclusiva do UBOOK.

Brasileiro é apaixonado por novelas! E a qualidade das produções nacionais no setor é reconhecida mundialmente. Esse caso de amor começou há muitas décadas, com a radionovela, uma das responsáveis pela chamada Era de Ouro do rádio brasileiro. As tramas emocionantes em áudio, com diversos atores e sonoplastia, encantavam o público.

Agora os brasileiros, assim como os europeus e americanos já fizeram, redescobrem o áudio como um companheiro fiel de todas as horas.  “As novas tecnologias, como os smartphones e o streaming, revitalizam o consumo de áudios e permitem escolher o que se deseja ouvir, inclusive enquanto realiza outra atividade, como nos deslocamentos casa-trabalho, se exercitando ou cumprindo tarefas domésticas”, comenta Cristina Albuquerque, gerente de conteúdo do Ubook, maior plataforma de audiolivros por streaming da América Latina.

É neste contexto que a radionovela volta à cena, mas agora seu figurino é confeccionado à base de muita tecnologia. Isto porque, se antes a radionovela só podia ser ouvida pelos rádios, o novo formato em áudio permite que as obras sejam acessadas por smartphones, tablets e computadores – muito mais acessíveis e às mãos de todos o tempo todo. “O poder da novela é indiscutível e eu sempre achei que esse tipo de produção ainda tinha espaço, mercado e público. Pensei nisso durante anos até que encontrei vários parceiros e as coisas foram acontecendo, e estamos empolgadíssimos com o resultado”, conta Rony Padilha, um dos organizadores do projeto e diretor artístico da Blá FM, estação carioca de web.

O retorno deste produto campeão da audiência das décadas de 40 e 50 está programado para ocorrer nesta quinta-feira, 15/03, data de estreia da audionovela “Os Bollagattos”. A produção é uma desconstrução de um dos principais clássicos do cinema mundial sobre a máfia italiana. Mas, agora, quem está na chefia são as mulheres.

A audionovela conta a história de Os Bollagattos, que lideram o crime no Rio de Janeiro de 1945.  Dona Vitória Bollagatto (Raquel Fabbri) é a matriarca da família. Miguela (Priscila Fantin, Bianca Rinaldi e Maytê Piragibe) nunca quis se envolver nos negócios ilícitos, mas após a mãe sofrer um atentado, patrocinado pela família Tortellini, ela se torna mais temida que a própria mãe. Ao passar por este processo, o ouvinte perceberá uma mudança também na personalidade de Miguela: ao começo, ela é mais reticente; depois, ganha confiança e torna-se uma mulher mais alegre e espalhafatosa; transformando-se em melodramática e sombria ao final. “Por isso optamos por fazer essa passagem do tempo com três atrizes diferentes”, adianta o roteirista e diretor da obra, Luis Antonio Pereira.

O clã conta também com a irmã mais velha, Santina Bollagatto (Paloma Bernardi), que fica responsável por tomar conta dos negócios, enquanto a mãe está hospitalizada.

Os Bollagattos têm no elenco Bianca Rinaldi, Paloma Bernardi, Mayte Piragibe, André Ramiro, Priscila Fantin, Raquel Fabbri, Paulo Hamilton, Brendha Haddad, Daniel Braga e Henrique Pires. Roteiro e direção de Luis Antonio Pereira. É uma produção da LAFILMS.TV, com distribuição exclusiva do Ubook.

“Estou apaixonada pelo trabalho e, por incrível que pareça, é também a realização de um sonho porque eu sempre quis fazer uma radionovela. O meu bisavô trabalhou em rádio e com certeza isso estava no meu sangue”, conta Raquel Fabbri, atriz que interpretou a Bia da novela “Alto Astral” e faz a matriarca da família em “Os Bollagattos”.

O maior desafio para esta produção foi trazer à vida algo que estava extinto, explica Pereira. “É como recriarmos o Jurassic Park”, brinca o diretor e roteirista da audionovela. “Na verdade, foi tão divertido fazer que não enxergamos tantos desafios assim, e a tecnologia nos ajudou bastante. Por exemplo, na época da radionovela era preciso passar toda a emoção, que hoje vemos na tela da televisão, para quem estava em casa, somente através dos sons. Era preciso muita criatividade para criar os sons necessários que fizessem com que os ouvintes entendessem o que estava acontecendo na radionovela. O fogo e a chuva, por exemplo, eram feitos com o mesmo recurso, papel celofane amassado, que devia ser feito lentamente e bem perto do microfone. Hoje, a tecnologia nos traz facilidades, pois podemos gravar e inserir a trilha e sonoplastia depois; o que nos dá um altíssimo padrão de qualidade, diferente daquela época”, comenta o diretor que pretende, com esta produção, atingir dois públicos: “o que é nostálgico e quer ouvir de novo, e o pessoal que quer saber que novidade é essa”.

Luis Antonio Pereira começou como ator na “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque. Atuou em diversas peças no Brasil e Estados Unidos. Em Los Angeles, atuou nos musicais da Broadway “Big River” e “The Sound of Music”. Participou de produções da Universal Studios, como “Family Man”, com Nicholas Cage; e “Little Nikki”, com Adam Sandler. Entre os filmes que dirigiu no Brasil estão “O Segredo”, com Murilo Rosa, que foi exibido e premiado em 22 países e mais de 50 festivais; e “Amélio, O Homem de Verdade”, com Lucio Mauro Filho. Em março de 2014, Pereira lançou nos cinemas o longa metragem “Jogo de Xadrez”, com Priscila Fantin, Antônio Calloni, Carla Marins e Tuca Andrada. O filme ganhou os prêmios de Melhor filme em Los Angeles, Houston e Hollywood.

A distribuição da audionovela será realizada com exclusividade pelo Ubook, maior plataforma de audiolivros por streaming da América Latina. Os assinantes da plataforma terão acesso a um novo capítulo toda quinta-feira, a partir das 17h. Cada episódio tem, em média, 30 minutos de duração. “Outra vantagem dos assinantes do Ubook é também poder ouvir cada capítulo quando e quantas vezes quiser”, complementa a gerente de conteúdo do Ubook.

“Os Bollagattos” também será reproduzido pela Bla FM, que é uma rádio com transmissão pela internet. Porém, os capítulos serão reproduzidos na rádio doze dias depois de sua estreia no Ubook. O primeiro capítulo desta audionovela, por exemplo, poderá ser ouvido na Blá FM no dia 27/03, às 22h. Mas, atenção: a Blá não fará reprises, assim, se o ouvinte perder o capítulo, só terá a chance de conhecer este conteúdo pelo Ubook.

A atriz Priscila Fantin destaca que este projeto é prova de que o rádio se mantém vivo em multiplataformas. “Fazer uma novela em um veículo novo, atuante e cada vez mais influente é promover debate, curiosidade e difusão da cultura. Tudo o que um artista ama fazer. Estou muito feliz”, diz uma das intérpretes de Miguela. Os Bollagattos é a primeira audionovela por streaming do Brasil.

A História da Radionovela no Brasil

No dia 7 de abril de 1922 entrava no ar a primeira transmissão de rádio no Brasil. O veículo, porém, demorou a se tornar popular, em razão do preço do aparelho e da demora na implantação de retransmissoras. Nos idos de 1940, quando essas barreiras foram superadas, o rádio tornou-se acessível e se popularizou, assumindo caráter de entretenimento. Foi o primeiro passo para a consolidação das radionovelas.

Nasciam, assim, as primeiras radionovelas inspiradas na dramatização das tramas literárias. No início, era muito comum que fossem realizadas a radiofonização de peças teatrais, que começavam e terminavam no mesmo dia. Na Rádio Nacional, por exemplo, havia todos os sábados um programa chamado “Teatro em Casa”.

A primeira que pode ser considerada radionovela no Brasil é “Em busca da Felicidade”, produzida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que estreou em 12 de julho de 1941. A obra foi baseada em texto do cubano Leandro Blanco, adaptada por Gilberto Martins. Seus capítulos ficaram no ar por aproximadamente três anos, assim como ocorreu com outro grande sucesso da época: “O Direito de Nascer”.

A Rádio Nacional do Rio de Janeiro, aliás, foi a grande referência para as radionovelas no Brasil: de 1941 a 1959, foram transmitidas pela emissora 807 produções feitas por 118 autores. A produção destas radionovelas é considerada uma das responsáveis pela chamada Época de Ouro do rádio.

Tanta popularidade fez crescer a demanda por textos brasileiros, com o surgimento de escritores específicos para o tema (Gilberto Martins, Amaral Gurgel, Oduvaldo Vianna, Mário Lago, Dias Gomes, Janete Clair, Mário Brazzini, Ivani Ribeiro, Alfredo Palacios e G. Alves), e com a adaptação de romances nacionais para a versão em áudio, como obras de Cecília Meirelles.

Em 1947, a Rádio São Paulo transmitiu ‘Fatalidade’, de Oduvaldo Vianna, a primeira novela genuinamente brasileira.

Umas das radionovelas nacionais de maior sucesso foi “Jerônimo, o Herói do Sertão”, criada por Moysés Weltman, em 1953, que ficou no ar por 14 anos. A trama foi, posteriormente, adaptada várias vezes para a televisão. No rádio, Jerônimo viveu suas aventuras em 96 radionovelas transmitidas em todo o território nacional. A obra também recebeu adaptações para o cinema e histórias em quadrinhos.

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