Semana de combate à violência contra mulher

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Tempo para refletir sobre como combater a desigualdade e a injustiça

Independentemente de raça, cor, etnia, idade ou classe social, qualquer mulher pode estar sujeita à violência de gênero. Nos últimos anos, esse assunto vem sendo cada vez mais debatido no Brasil e reconhecido como um problema estrutural, com origem na constituição desigual dos lugares de homens e mulheres nas sociedades – a desigualdade de gênero -, que não implica apenas nos papéis sociais do masculino e feminino e nos comportamentos sexuais, mas também em uma relação de poder, sendo ainda mais atingida a população negra. O audiobook Os homens explicam tudo para mim, com narração de Andrea Veiga, é uma ótima forma de entender melhor esse desequilíbrio.

Recentemente, esse reconhecimento foi acompanhado por mudanças na forma como devemos responder a essa violência, atacando não as justificativas, mas as causas. O país tornou-se referência internacional com a Lei Maria da Penha, cujo diferencial é a forma de abordar o problema, propondo a criminalização e a aplicação de penas para os agressores, e também medidas que são dirigidas às mulheres para a proteção de sua integridade física e de seus direitos. 

Apesar de tudo isso, o Brasil segue sendo um país violento para as mulheres. De acordo com os dados compilados pelo think tank, ao menos 1,23 milhão de mulheres foram atendidas no sistema de saúde brasileiro vítimas de violência entre 2010 e 2017, além das elevadas taxas de homicídios de mulheres que, quando motivadas pelas razões de gênero, são tipificadas como feminicídios. Esses números expressam apenas uma parte do problema e comumente dizemos que a subnotificação é uma característica dessas situações. O medo, a dúvida e a vergonha são algumas das explicações para esse silêncio. É possível se informar melhor sobre elas no livro O Universo Feminino 2: Violência contra a mulher, de Rosane Machado.

Porém, muito ainda há para ser feito. O sistema de Justiça segue distribuindo de forma desigual o acesso à Justiça. Existem poucos serviços especializados para atender as mulheres em situação de violência. Faltam protocolos que orientem o atendimento. Falta capacitação para os profissionais cuja atuação é muitas vezes definida por convicções pessoais. Faltam políticas educativas de prevenção da violência. Se você gosta de ficção, e quer entender mais sobre as formas de violência contra a mulher, o audiobook Enquanto respirar, narrado por Isabel Gueron, é uma sugestão da Ubook.

O combate à violência contra a mulher é uma conscientização que ganhou força própria e não tem retorno. Muito tem sido feito para que as leis e políticas possam ser implementadas e mais mulheres encontrem condições para acessar direitos e justiça, que deve ser um compromisso de todos.

Naiara Cremasco

A bruxa está solta na Ubook

Entre o pôr do sol do dia 31 de outubro e o alvorecer do dia 01 de novembro acontece a Noite Sagrada. Nesse intervalo de tempo, os espíritos dos mortos retornam com a missão de visitar seus antigos lares e guiar seus amigos e familiares para outro mundo, lugar onde não há fome nem dor. Assim acreditavam os celtas, povo que habitava a Gália (onde hoje é a França) e as ilhas da Grã-Bretanha entre 600 a.C. e 800 a.C. Em homenagem a essa noite, eles celebravam a Festa dos Mortos, pela honra de todos os santos.

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A festa, originalmente celebrada no dia 13 de maio, foi transferida para o dia 01 de novembro pelo Papa Gregório III, pois o Dia de Finados também era celebrado nesse dia, quando os católicos homenageavam seus mortos. A noite da véspera, dia 31 de outubro, passou a ser chamada de Noite de Todos os Santos.

Por volta dos séculos XIV e XV, as fantasias foram incorporadas à festa na França. A famosa tradição da distribuição de doces às crianças se originou de um costume medieval praticado no Dia de Finados, quando as crianças batiam de porta em porta pedindo o “bolo das almas” em troca de uma oração pelas almas dos familiares falecidos de quem os presenteavam com guloseimas. Já a decoração funesta, vem da crença de que tais artifícios teriam o poder de afastar os maus espíritos.

Desse misto de tradições, nasceu o Halloween – ou o Dia das Bruxas, como é conhecido nos países de língua portuguesa. Conhecidas popularmente por uma aparência medonha, por voarem em vassouras e lançarem feitiços, as protagonistas dessa celebração são personagens recorrentes nas obras de ficção. Características das bruxas, como voar em vassouras, ter um gato — normalmente preto — como animal de estimação, fazer poções mágicas, além da capacidade de ver o futuro em bolas de cristal, são reforçadas na literatura, o que ajuda a construir o imaginário popular em torno de tais figuras.

Agora que você já sabe um pouco sobre as origens dessa festa macabra e divertida, que tal entrar no clima sombrio e aproveitar algumas dicas de audiobooks para ouvir? Dê uma olhada na nossa seleção:

1. Antologia de Hallowen

2. Contos de suspense e terror

3. Drácula

4. Invocadores do mal

5. Mistério em Chalk Hill

6. O jogo da moeda

7. Solomon Kane

 

Naiara Cremasco

Audiolivros e a leitura com os ouvidos

Por Rafael de Oliveira Barbosa

Quando convidado para escrever esse texto, pensei em fazê-lo com uma provocação ao leitor de audiolivros: como o formato sonoro se torna parte da História do Livro? Escrevo como um estímulo a sua curiosidade para pensar o audiolivro além da óbvia e insuficiente afirmação de um “livro oralizado”. Não é um esforço diferente daquele que muitos já fizeram a respeito do livro, tão presente em nossa cultura que, muitas vezes, o naturalizamos, pensando que ele sempre foi do jeito que é.

Na verdade, pesquisadores de diversos cantos do mundo já mostraram variados formatos e múltiplas experiências do homem com seus livros, revelando-nos vastos comportamentos diante dos textos, modos de produzi-los e publicá-los e expectativas quanto a sua circulação. Por meio desses estudiosos, descobrimos, por exemplo, que as performances orais de obras literárias não são um fenômeno recente. E, assim, a História do Livro vai nos ajudando a entender os audiolivros e sua leitura nos tempos atuais.

A fonografia e as transformações na leitura

Do mesmo modo, há alguns anos pesquisadores como eu estão interessados em explorar o audiolivro – imaginado ainda como um “livro fonográfico” pelo americano Thomas Edison há 139 anos, ao apresentar em um artigo de jornal o seu invento: o fonógrafo. Ao longo do tempo, a captura e a preservação da voz para reprodução e edição por meio tecnológico impactaram a leitura com o ouvido de modo similar ao que atribuem ao códice ou à prensa de Gutenberg na produção e circulação do texto escrito. A partir daí, mas de forma gradual, é possível conceber a literatura gravada como um produto editorial, em que se pensa nas etapas de produção, na forma material das obras sonoras e nos suportes de leitura – e não apenas para deficientes visuais, mas para todo mundo. São novas formas de práticas no mundo da leitura e da composição dos textos.

Audiolivros e tecnologias digitais

Desde 2012, junto ao grupo de pesquisa “Livros e Cultura Letrada”, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), dedico-me a pesquisar os audiolivros comerciais enquanto produto cultural e a pensar seu lugar a partir das diversas experiências de leitores sem deficiência visual no contexto digital. Desfazendo falsas suposições e oposições entre leituras de livros e audiolivros e tomando esse último como uma mídia em si, e não produto derivado do livro, preocupamo-nos com o processo de composição material (as etapas de produção, os agentes envolvidos), com os elementos da obra sonora (como paratextos, efeitos sonoros e vozes) e com as tecnologias de leitura (formatos de arquivos, suportes de armazenamento, tocadores). Afinal, não devemos pré-estabelecer que os audiolivros sejam menos diversos que os livros.

Na verdade, retomando a pergunta colocada no início, no que trazem de novidade e no que mantêm de outros formatos de livro, os audiolivros nos auxiliam a rever concepções e representações no mundo do texto e do leitor. E, sempre que possível, nos convidam a experimentar outras potencialidades nos modos de ler.

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Rafael é Jornalista e Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Área de investigação atual: História do Livro e da Leitura, as relações entre objetos textuais, leitores e cultura e as novas produções editoriais no ambiente digital – no momento, com foco em audiolivros.