A bruxa está solta na Ubook

Entre o pôr do sol do dia 31 de outubro e o alvorecer do dia 01 de novembro acontece a Noite Sagrada. Nesse intervalo de tempo, os espíritos dos mortos retornam com a missão de visitar seus antigos lares e guiar seus amigos e familiares para outro mundo, lugar onde não há fome nem dor. Assim acreditavam os celtas, povo que habitava a Gália (onde hoje é a França) e as ilhas da Grã-Bretanha entre 600 a.C. e 800 a.C. Em homenagem a essa noite, eles celebravam a Festa dos Mortos, pela honra de todos os santos.

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A festa, originalmente celebrada no dia 13 de maio, foi transferida para o dia 01 de novembro pelo Papa Gregório III, pois o Dia de Finados também era celebrado nesse dia, quando os católicos homenageavam seus mortos. A noite da véspera, dia 31 de outubro, passou a ser chamada de Noite de Todos os Santos.

Por volta dos séculos XIV e XV, as fantasias foram incorporadas à festa na França. A famosa tradição da distribuição de doces às crianças se originou de um costume medieval praticado no Dia de Finados, quando as crianças batiam de porta em porta pedindo o “bolo das almas” em troca de uma oração pelas almas dos familiares falecidos de quem os presenteavam com guloseimas. Já a decoração funesta, vem da crença de que tais artifícios teriam o poder de afastar os maus espíritos.

Desse misto de tradições, nasceu o Halloween – ou o Dia das Bruxas, como é conhecido nos países de língua portuguesa. Conhecidas popularmente por uma aparência medonha, por voarem em vassouras e lançarem feitiços, as protagonistas dessa celebração são personagens recorrentes nas obras de ficção. Características das bruxas, como voar em vassouras, ter um gato — normalmente preto — como animal de estimação, fazer poções mágicas, além da capacidade de ver o futuro em bolas de cristal, são reforçadas na literatura, o que ajuda a construir o imaginário popular em torno de tais figuras.

Agora que você já sabe um pouco sobre as origens dessa festa macabra e divertida, que tal entrar no clima sombrio e aproveitar algumas dicas de audiobooks para ouvir? Dê uma olhada na nossa seleção:

1. Antologia de Hallowen

2. Contos de suspense e terror

3. Drácula

4. Invocadores do mal

5. Mistério em Chalk Hill

6. O jogo da moeda

7. Solomon Kane

 

Naiara Cremasco

Assis Chateaubriand – Visionário e polêmico, empresário tem a vida contada em livro-reportagem de Fernando Morais

Em 4 de outubro de 1892, nascia, no município de Umbuzeiro, Estado da Paraíba, Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. Chatô, como ficou conhecido, foi um dos homens públicos mais influentes de sua época – figura polêmica, odiado por uns, temido por outros e respeitado por muitos.

Sua estreia no jornalismo se deu com apenas quinze anos de idade, escrevendo para os jornais Gazeta do Norte, Jornal Pequeno e o Diário de Pernambuco. Nessa época, ele ingressou na Faculdade de Direito de Recife. Em 1915, veio para o Rio de Janeiro, onde iniciou colaboração com o Correio da Manhã. Em 1924, assumiu a direção do O Jornal. No mesmo ano, conseguiu comprar o periódico, e começou a construir os Diários Associados, um império de comunicação que chegou a ser o maior da América Latina. Em seu auge, o grupo chegou a contar com 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal, uma mensal, revistas infantis e uma editora.

Empreendedor e inquieto, ele foi o responsável pela fundação do Museu de Arte de São Paulo, em 1947, e do primeiro canal de TV do país, a TV Tupi, em 1950. Com métodos nem sempre éticos, se aliou (e se desentendeu ao longo do tempo) com várias personalidades influentes de sua época como o presidente Getúlio Vargas e o empresário americano Percival Farquhar (dono da Rio Light, da Companhia Telefônica Brasileira e de um grande número de ferrovias no Brasil). A amizade com Getúlio, entre outros benefícios, lhe rendeu uma lei feita “sob medida” para que pudesse obter a guarda de sua filha após a separação.

Para os que considerava inimigos, no entanto, reservava um tratamento muito duro nas páginas de seus periódicos. O empresário ítalo-brasileiro Francisco Matarazzo, um dos que sofreu as perseguições de Assis Chateaubriand por meio de seus jornais, chegou a declarar que iria “resolver a questão à moda napolitana: pé no peito e navalha na garganta”. Ao que Chateaubriand, bem a seu estilo, retrucou: “Responderei com métodos paraibanos, usando a peixeira para cortar mais embaixo”. Assis Chateaubriand teve a vida contada em dois filmes: “Chatô”, de Guilherme Fontes, que demorou vinte anos para ser lançado por uma série de problemas financeiros ao longo da produção, e “Chateaubriand – Cabeça de Paraíba”, de Marcos Manhães Marins. “Chatô – o rei do Brasil”, de Fernando Morais, livro-reportagem no qual se baseou o filme de Fontes, é considerado a biografia definitiva do controverso personagem. Com 736 páginas, revela todas as faces de Assis Chateaubriand, desde o nascimento até a morte, em decorrência de um acidente vascular cerebral, em 1968. Na versão em audiolivro produzida pelo Ubook, com a narração do apresentador de tv e dublador Carlos Alberto Vasconcellos, o livro foi gravado na íntegra e dividido em três episódios, tornando possível conhecer todos os detalhes da trajetória de Assis Chateaubriand, cuja vida se confunde com a história do país.

O Diário de Anne Frank – Novos formatos relembram relato histórico

O diário de uma adolescente judia, escrito entre 1942 e 1944 quando, escondida do regime nazista com sua família, registrou em seus cadernos seu dia a dia, se transformou em um dos maiores clássicos da literatura mundial. Revelando anseios típicos de uma jovem de sua idade e sua perplexidade com a situação e os riscos a que estavam submetidos, os escritos foram resgatados no pós-guerra pelo único sobrevivente da família, o pai de Anne, Otto Frank. O Diário de Anne Frank deu um rosto e uma identidade a mais de 6 milhões de judeus que, como Anne, acabaram perdendo a vida durante o Holocausto. A obra continua sendo, ao longo das décadas, um dos livros mais vendidos da história, tendo sido publicado em mais de 70 países e gerado peças de teatro, filmes e documentários.

Comprovando a atualidade do texto, foi anunciado o lançamento mundial de uma versão em quadrinhos da história, a ser publicada no Brasil no início de outubro, e prevista para ser transformada ainda em um filme de animação em 2019. A HQ será publicada pela Editora Record, também responsável pela edição no Brasil do livro que traz a íntegra do Diário original. A Fundação Anne Frank, visando dar uma nova vida ao relato literário, contatou o cineasta israelense Ari Folman, que convidou para ajudá-lo na empreitada o diretor de arte e ilustrador David Polonsky. Sobre a experiência de adaptação do livro, Folman declarou ao Jornal O Globo: “Li umas vinte vezes cada página para trabalhar no roteiro. Em cada uma delas, me dizia: ‘Uau, isso deveria entrar na íntegra’. A tarefa mais dura foi fazer os cortes. Trabalhava em 30 páginas do diário para fazer 10 páginas da HQ.

Além do formato padrão e da HQ que está por vir, o Diário da jovem Anne conta com uma versão em áudio, produzido este ano pelo Ubook em parceria com a Editora Record. Transformar em áudio todo o conteúdo escrito por Anne durante os 743 dias de cativeiro apresentou inúmeros desafios, sendo um dos principais a seleção de uma narradora que pudesse passar com veracidade e sentimento as emoções da jovem. A escolhida foi a atriz Joana Caetano, que revela: “Eu sempre tive carinho especial pelo Diário. Quando tive a oportunidade de ser a voz da Anne, me vi diante da imensa responsabilidade de interpretar alguém que, apesar de bastante jovem, revelava muita maturidade na busca pelo entendimento necessário para se educar a viver num contexto histórico tão violento. Foi um grande desafio sentir todas as suas palavras sem me deixar levar pela emoção dos desdobramentos que todos conhecemos. Como Anne, fui de peito aberto, porque, para os que ficamos, o diário segue atual.”. A pesquisa das pronúncias dos nomes dos personagens mencionados pela autora e a extrema fidelidade ao texto, que é marca das produções do Ubook, foram também preocupações na adaptação deste grande clássico para o áudio.

O resultado é um audiolivro que toca o coração e mantém viva a memória da jovem Anne. Durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, nossa equipe teve a oportunidade de ver de perto a reação dos ouvintes. Em um de nossos totens de demonstração, no estande da Record, uma frequentadora chegou a se emocionar escutando um trecho do livro no Ubook, apesar de toda a movimentação típica do evento no entorno dela. “Parece que estou ouvindo a própria Anne falar”, comentou.

Se você deseja conhecer ou relembrar O Diário de Anne Frankclique aqui, escute e desfrute desta obra, que além da qualidade literária reconhecida, é também um documento histórico.